Ser Leal ao outro ou a si mesmo?

Você sabia que ser leal a alguém pode ser positivo, mas também pode limitar o seu desenvolvimento? E até mesmo trazer sentimento de culpa e vergonha? Compreenda o que é lealdade, como se manifesta e como fazer para ser leal sem sofrimento.

 

A Lealdade é construída através das regras que compõem as relações. Apresenta conceitos que vão desde compromisso, dever, respeito e integridade. Manifesta-se, muitas vezes, sob a forma de expectativas conscientes e inconscientes e tem relação com valores morais e éticos. A premissa maior está relacionada a não prejudicar quem amamos, pois quem nos quer bem já espera determinados comportamentos da nossa parte. Isso ocorre porque, para a pessoa fazer parte do grupo, ela deve apresentar o compromisso de agir conforme esse grupo espera, conforme as regras desse sistema.

Nas relações que estabelecemos existem sinais que contribuem para a formação de determinados comportamentos que apresentamos. Esses comportamentos são desenvolvidos de acordo com a função e os papéis que criamos ao longo da vida. Assim, se me coloco como o melhor filho, crio, em meu sistema emocional, que não posso jamais agir de forma que não contribua para continuar sendo o melhor filho, afinal, não ser o melhor filho poderia caracterizar deslealdade na relação pais e filhos. Para continuar com esse status, não dizemos e não fazemos o que realmente gostaríamos, simplesmente para agradar e ser “aparentemente” leais.

É importante ressaltar que a noção de deslealdade estará vinculada aos valores e crenças que fazem parte da história de cada um, isso significa que algumas situações podem ser vistas como deslealdade por uma pessoa e não por outra. Esse fator pode contribuir para um grande dilema: fazer o que esperam de nós ou fazer o que realmente pensamos e sentimos? Se fizermos o que esperam de nós, inicialmente nos sentiremos confortáveis, mas posteriormente nos cobraremos por não concordar com o resultado. Se fizermos o que realmente pensamos e sentimos, não vamos de encontro ao que esperam de nós e o sentimento de culpa pode nos acompanhar por um período de tempo, a ponto de voltarmos a agir como antes.

A grande questão é que as pessoas não compreendem que dizer o que pensam e sentem, mesmo quando sua opinião ou visão das coisas é diferente do outro, não caracteriza deslealdade. O que ocorre é que, para sermos verdadeiramente nós mesmos, e para que o sentimento de culpa não seja o regulador de nossas vidas, precisamos conhecer cada vez mais o modo como nos colocamos nas relações e o que contribui para aprendermos determinados comportamentos. Esse processo irá ajudar a sabermos lidar com situações em que o fato de não agir como as pessoas esperam não seja compreendido como um processo de deslealdade.

Escrito por:

Fabiane Moraes de Siqueira

Psicóloga e Terapeuta de Família e Casal

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