Ser pai e mãe ou ser amigo do seu filho? Esse é um questionamento que muitos pais fazem ao longo da vida. Ocorre que na prática a maioria dos pais não deixam as fronteiras bem definidas. Quando digo fronteiras estou falando do como se colocam na relação para mostrar que há uma hierarquia diferente entre o que é ser pai e mãe e o que é ser filho.

Funcionalmente pai e mãe precisam ter o respeito e o poder de decisão em suas mãos. Por exemplo: Eu sou do tempo em que bastava um olhar para saber que meus pais não estavam gostando do meu comportamento, e ai de mim se não os obedecesse.

Acredito que muitas pessoas já na fase adulta vão se identificar com essa forma que meus pais agiam comigo. E o questionamento que faço é: o que aconteceu que nos dias atuais a maioria das crianças não respeitam seus pais?

Muitas mudanças sociais ocorreram ao longo do tempo: a entrada da tecnologia, internet na palma da mão, multitarefa dos pais, entre outros. Porém não foram apenas essas mudanças que contribuíram para isso, houve também mudança de comportamento na forma de educar os filhos. É claro que lançar um olhar e a criança responder a esse olhar não é apenas a única forma de educar, mas é um exemplo de como os pais podem ter o controle da situação.

Uma explicação para essa mudança está no fato dos pais caminharem para o extremo oposto, no sentido de acreditar que precisam ofertar uma educação diferente da que receberam e compensar sua ausência aceitando determinadas situações que deveriam ser corrigidas. Esse modo de educar cria as seguintes situações:

Hierarquia invertida.

Filhos que não respeitam os pais e que comandam a situação e a relação. Os pais perdem o poder da autoridade e do controle. Já viu crianças que se jogam no chão e conseguem o que querem? Esse é um exemplo mais extremo, porque também há crianças que conseguem o que querem de diversas outras formas. Muitas vezes essa situação começa porque os pais acham bonito o que a criança faz de errado quando ainda criança / bebê e deixam de corrigir por achar graça.

Relacionamento a base de compensação.

Por sentirem-se culpados em passar grande parte do tempo ausentes, os pais compensam as crianças comprando brinquedos e eletrônicos. Essa ação pode levar as crianças a compreender que tudo é muito fácil na vida.

Outra questão importante a ressaltar é que essa criança irá crescer e muito provavelmente haverá dificuldades no relacionamento na fase da adolescência e vida adulta, além de alta probabilidade de dificuldades em arcar com responsabilidades do trabalho e financeiras. Essas pessoas compreendem que sempre haverá alguém para suprir suas “falhas”

Não tolerância à frustração.

Quando há hierarquia invertida e relação a base de compensação, a criança internaliza que pode ter tudo que quer e da forma que quer. Não aprende que é normal vivermos situações que não terão os resultados que esperamos e que essas situações podem nos tornar mais fortes e mais resilientes.

Coloquei aqui três situações que vão contribuir muito para uma pessoa fazer bicos aos cinco anos e continuar a fazer bicos aos trinta, quarenta e cinquenta anos. A tendência é a pessoa levar um padrão de comportamento infantilizado e imaturo, apresentando dificuldades nos relacionamentos e no trabalho que irá desenvolver.

Então respondendo à pergunta: ser pai e mãe ou amigo de seu filho, seja pai e mãe. Ser amigo lhe colocará no mesmo nível de igualdade na relação e contribuirá para perder a autoridade!

Escrito por:

Fabiane Moraes de Siqueira

Psicóloga e Terapeuta de Família e Casal

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